LEMBRANÇAS DA PAULA GOMES

Como é bom recordar, certos lugares que fizeram parte de nossas vidas. Um deles foi a convivência na Rua Paula Gomes, durante minha alegre infância, juventude e mocidade, com pessoas sempre lembradas.

Partindo da esquina da Barão do Serro Azul onde se encontrava nossa casa, em frente havia um sobrado cuja loja era uma padaria onde era fabricada ótimas broas escuras, chamadas “BROAS DO CARMELO” (lembro-me pouco pois era muito pequenina na época). A seguir a casa de FREDERICO GROETZNER um dos fundadores da extinta Fábrica de Biscoitos ”LUCINDA” situada no Cabral. Logo após encontramos a residência do percursor do Rádio Amadorismo de Curitiba, o Sr. LÍVIO MOREIRA funcionário do Telégrafo dos Correios que conseguiu a 1ª transmissão de sua casa até a de um amigo na Augusto Stellfeld num raio de mais de 2 Km.

Já em frente recordo de uma casa simples, mas de extraordinário conteúdo de deliciosos acepipes. Tratava-se de uma senhora negra, de pequeno porte DONA CATARINA ROCHA uma Parnanguara, dona de uma culinária inigualável. Diariamente saia, logo após o almoço, equilibrando sobre a cabeça uma cesta repleta de doces e salgados, que eram vendidos para lanche dos funcionários, do Banco do Brasil e Caixa Econômica. Também era muito procurada para preparo de festas e eventos. Dentre os vários quitutes saliento as inigualáveis empadas, bolos de goma, tainha recheada com camarões além de doces maravilhosos, tudo assado em forno a carvão. Que saudades!

Seguindo ao lado encontramos um suntuoso sobrado com lindas sacadas (ainda existente) onde morou uma jovem lindíssima chamada JOSIMEIRE CALDEIRA vencedora de Miss Curitiba ou Paraná. Ao lado morava a família KUCHENBUCH e a seguir a casa de AUGUSTO STRESSER (foto acima) (ainda existe) mais tarde vendida para os PILLOTO.

Pois bem, nesta quadra havia uma amizade entre famílias fora do comum. Reuniam-se quase todas as tardes nos portões de suas casas e lá rolavam assuntos de toda a ordem, política, culinária etc. Nós os jovens aproveitávamos para jogos, ciclismo patins e outras atividades.

Lembramos também de afiadores de facas, tesouras e produtos cortantes. Lá também passava sempre um indivíduo que consertava guarda-chuvas e panelas. As ciganas que além de da venda de tachos de cobre, também liam as linhas da mãos das jovens. Certos dias chegava o velho realejo (espécie de órgão mecânico tocado à manivela) cujo interior tinha um periquito treinado para apanhar com o bico um papel dobrado que continha assunto que previa o futuro amoroso. Lógico que tudo era cobrado. Por falar em coisas amorosas, quero lembrar também das famosas serenatas que aconteciam todos os finais de semanas sob as janelas onde moravam as jovens do bairro, com um repertório variado. Tudo era muito romântico!

Recordamos dos colonos italianos, que vinham de Santa Felicidade diariamente, com suas carroças lotadas de verduras, frutas, legumes, laticínios, ovos e traziam também carradas de lenha para o acendimento dos fogões. O dia da chegada da lenha era uma festa para nós ainda crianças  pois ajudávamos a descarregar a carroça e em troca nos era oferecido um belo passeio à bordo. Lá íamos todos alegres nos socando, no sacolejo do atrito das rodas de madeira, nos paralelepípedos das ruas. Lá no Alto de São Francisco vínhamos a pé correndo descalço, até em casa.

Na quadra seguinte após Mateus Leme, encontrava-se as residências das seguintes famílias: Mazza, Hungria, Bevilaqua, Capriglione, Patittuci, Kolody Roskamp, Monteiro. Quase no final  da rua, a residência construída toda em pedras (existente) do patriarca da família, Greca Sr. Olívio, dono da Pedreira Greca, no Pilarzinho

Eis ai um apanhado, de memórias inapagáveis dos anos 40 e 50.

RECORDAR É VIVER !

  • Albano
    Albano 17 de abril de 2017 às 10:39

    Alias já tenho a foto do cartão, mas está com uma resolução muito ruim, pedi a Gioconda reenviar.

  • Albano
    Albano 26 de abril de 2017 às 17:13

    Tinha o Luiz Pilotto que estudou com meu pai no Colégio Progresso. Existia um livro dele com um pinheiro na capa, meu irmão deve recordar.

    Confiram:

    • Albano
      Albano 26 de abril de 2017 às 17:12

      O nome do livro é: ‘Pinheiro: Árvore Inspiração’

  • Albano
    Albano 26 de abril de 2017 às 17:13

    Em breve vou publicar um cartão de visitas do vô do Sérgio Kuchenbuch com endereço na Rua Paula Gomes.

  • Albano
    Albano 26 de abril de 2017 às 17:13

    Só pra constar, Alice Michaud veio a se tornar a primeira enfermeira do Paraná.

  • Albano
    Albano 26 de abril de 2017 às 17:14
  • Edna
    Edna 17 de setembro de 2017 às 19:39

    Nasci e morei na rua Barao do Serro azul ate casar e depois dezoito anos na rua Paula Gomes, conheci toda essa vizinhanca na epoca eram ruas nobres, infelizmente a rua Barao e mais casas comerciais e a Paula Gomes com BARZINHOS e esta toda pixada que pena perdeu o encanto. Parabens Iara, linda lembranca!

  • Deixe seu comentário