O VELHO CARNAVAL CURITIBANO

Ah! Que saudade dos carnavais passados de nossa velha Curitiba onde tudo acontecia de maneira quase improvisada isto é, a mídia não explorava tanto as festas. Naqueles anos os preparativos para as festividades tais como carnaval ou bailes aconteciam com uma grande margem de antecedência.

Lembro bem quando ainda de minha infância das confecções de fantasias quase todas de uma simplicidade sem igual. As referidas eram feitas de modo artesanal, na maioria das vezes até de papel crepom ou celofane. Era só alegria a reunião todas as tardes entre amigos e irmãos na ajuda mútua na criação dos modelos das fantasias.

Recordo de uma que fiz e era de havaiana, a qual foi motivo de consumo de várias folhas de celofane coloridos sendo a saia de várias camadas de tiras repicadas. Papai sempre reclamando dos pedidos de mais e mais papéis. Havia também fantasias, de piratas, baianas, zorros, bailarinas, princesas, odaliscas, chinesas e muitas mais. Para nós crianças era um trabalho árduo e que levava semanas para a execução, mas depois de tudo pronto, não víamos a hora da chegada do carnaval para exibir nossas obras primas nas ruas e bailecos infantis.

Todo esse aparato era complementado com bons sacos de confetes, rolos de serpentinas e a tradicional  lança-perfumes. No sábado de Carnaval  à tarde, já íamos com nossos pais para a Rua XV de novembro, onde à noite havia desfiles de carros alegóricos e apresentação de escolas de sambas e blocos carnavalescos, ao som de ótimos sambas e os inesquecíveis ranchos. O ambiente era estritamente familiar. Os assistentes ficam enfileirados rente ao cordão das calçadas seguros com um cordão, onde apreciavam a passagem do corso.

No domingo havia os bailes infantis à tarde e à noite os bailes adultos, em quase todos os clubes tradicionais da capital. Quero ressaltar a participação de meu mano Mário, no Bloco “Embaixadores da Alegria” constituído por acadêmicos da Universidade Federal que anualmente desfilavam na festa de Momo. Já minha mana Rosette  era uma carnavalesca da gema. Não perdia um só dia das festas!  Meus outros manos não eram muito chegados às  tradicionais festas de Momo.

Recordo também que havia o preparo antecipado das músicas a serem entoadas durante o carnaval. Eram compradas revistas que traziam as letras e através do rádio, eram decoradas as mesmas. Músicas estas, presentes ainda nos carnavais atuais.

Já na adolescência lembro que para enfrentar os três dias de folia, dormíamos à tarde para reunir forças para brincar os bailes noturnos que se desenrolam, até o amanhecer com presença de orquestras e bandas ao vivo.

Quantos banhos tomados no repuxo da Praça Osório às sete horas da manhã, quando na quarta feira de cinzas, a turma da Thalia (Foto: Biblioteca do IBGE) se encontrava com a do Círculo Militar. Rumávamos então ensopados para nossas casas satisfeitos e almejando que o ano passasse rápido para um novo Carnaval.

Ótimas lembranças guardadas destes tempos que jamais haverão de voltar.

RECORDAR É VIVER  !