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PASSEIO PELA MATEUS LEME

Esta importante via se estende desde o Largo da Ordem até imediações da Rodovia dos Minérios. Faço um convite para fazer comigo uma caminhada de recordações, entremeada com momentos vividos por mim e outros tantos de minha geração!

Partindo do Largo da Ordem mais precisamente ao lado da Igreja do mesmo nome, lembro-me de uma casa comercial chamada de “CASA ORION” na confluência com São Francisco. A referida confeccionava na época, os famosos aventais para uso das donas de casa curitibanas; tratava-se de peças especiais ( bordados e babados com muita renda ).

Ressaltamos que nossa querida amiga Loide Guimarães quando jovem ainda, teve seu primeiro emprego neste local. Logo a seguir no outro lado da via, havia uma pequena oficina da “SINGER” muito procurada pelas senhoras costureiras. Na esquina em frente teve início no passado, um dos maiores teatros de Curitiba. Tratava-se do “TEATRO HAUER” ( anos 20 à 30 ) muito frequentado por meus pais e amigos, o qual trazia grandes atrações estrangeiras. O referido, depois de desativado se tornou no antigo Cine Marabá conhecido ainda por alguns de minha idade cujo imóvel ainda existente. Ao lado ficava uma sorveteria cujo dono, um italiano muito alegre, sofria com a criançada que diariamente lá estava presente, a fim de saborear os picolés e sorvetes, que de gostoso não tinha nada por se tratar de gelo puro! Mas para nós crianças, era o máximo.

Já em frente havia um moinho de cereais da família “WEIGERT” onde os moradores se abasteciam com, grãos, farinhas e cereais; tratando-se daqueles estabelecimentos, onde se comprava à granel. Estamos agora na esquina da Carlos Cavalcanti, onde há uma descida acentuada onde no passado, meninos brincavam com seus carrinhos de rolimãs. Chegando à esquina da Paula Gomes à esquerda, havia um estabelecimento com o nome de ”ARMAZÉM DO GAERTNER”. Pois bem, neste local morou mais tarde a família “MAZZA” cujos descendentes aí estão no jornalismo, na política, esporte, judiciário Lembrando Luiz Geraldo Mazza muito amigo de meu irmão Osmar e frequentador de nossa casa. ( excelente comentarista da CBN )

Andando um pouco mais e chegando quase na Inácio Lustosa, deparamos com a casa do ilustre “ALFREDO ANDERSEN” um ícone da pintura Paranaense. Ao lado última casa ficava o famoso “AÇOUGUE ASSUNGUÍ” que fornecia as carnes frescas oriundas do abatedouro Jorge Bonn no Bacacheri. Em frente havia uma padaria de nome “PADARIA AUSTRÍACA” ainda do tempo de entrega de pães em carroças puxadas a cavalos.

Estamos agora nos fundos do atual “SHOPPING MUELLER” antiga Fundição Mueller Chegamos agora no final do quarteirão à Barão de Antonina, onde ainda existe um imóvel que foi ( década de 40 a 50 ) residência paroquial dos arcebispos de Curitiba, mais conhecida naquele tempo como “CASA DO BISPO”

Chegando agora perto da confluência com a Lysimaco da Costa, onde quero externar minhas saudades de infância numa casa de uma pessoa muito querida que foi “DONA FELICIDADE GUIMARÃES” nossa querida “Vó Dade. Neste cantinho de amor, íamos quase diariamente eu , meus irmãos, junto aos seus netos, brincar e gozar da bondade desta grande senhora que nos acolhia com muita paciência e muita alegria. Tenho a ressaltar que meu querido sobrinho Flamarion nasceu nesta residência.

Seguindo deparamos atualmente com o “BOSQUE DO PAPA” muito aprazível, rodeado com seu verde sempre presente um espaço de serenidade ímpar. No passado havia neste local um curtume da família “PILATTI” onde meu pai foi contador do mesmo por vários anos.

Agora iremos mais adiante, e encontraremos o antiguíssimo “CARTÓRIO DO TABOÃO” e logo mais o famoso “PARQUE SÃO LOURENÇO” com seus encantos mil. Neste espaço há uma biblioteca que leva o nome do ilustre músico “AUGUSTO STRESSER”. Neste local existiu uma Cerâmica muito importante, cuja chaminé imponente ainda é conservada.

Vemos a seguir o famoso “COLÉGIO S. MARIA” localizado ao lado oposto do referido parque.

Seguindo pela via encontraremos bem adiante, o final desta que vai se encontrar com a Rodovia dos Minérios. Nesta altura da caminhada, vou deixar você descansar, porém te convido para outro dia qualquer continuarmos, por estes inesquecíveis lugares que amei e continuo sentindo o mesmo, nos dias atuais.

RECORDAR É VIVER!

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7 comentário em “PASSEIO PELA MATEUS LEME

  1. Ola

    Agradecido pela lembrança, minha querida tia Iara, toda essa região eu tenho muita viva no meu coração, onde passei infância e adolescência.

    Nessa época não havia perigo, com 7 para 8 anos de idade eu ia sozinho de minha casa na Rua Marcos Moro até a casa da vó Luiza na Barão do Cerro Azul, como recomendação cuidado ao atravessar a MATEUS LEME.

    RECORDAR É VIVER!

  2. Só para efeito de colaboração para ilustrar parte do ótimo texto da tia Iara segue uma foto da Felicidade (Vó Dade) sentada em frente a casa que ficava situada na Rua Mateus Leme esquina com Lysímaco Ferreira da Costa.

  3. Vale dizer também que a muitos anos não me recordava desse apelido carinhoso “Dade”. Não a conheci, quando ela faleceu eu tinha somente seis meses de vida, porém as informações são as melhores, dizendo ser uma pessoa muito boa.

    Tia Iara. obrigado por partilhar suas memórias.

  4. Por isso a importância dá preservação dos bens imóveis e móveis. Cada casa, lugar é um depositário das nossas memórias pessoais e coletivas. Um livro sempre aberto às nossas inscrições e lembranças. Lindo texto, parabéns!

    1. Verdade. O Colégio Progresso é um grande exemplo de como não preservar a história da cidade. Sem falar de muitos casarões abandonados caindo os pedaços.

  5. Parabéns para a Iara pelo excelente trabalho neste blog, relembrando a nossa história. Um exemplo a ser seguido por todos, para valorizar as nossas cidades e o trabalho de nossos antepassados. Sou um seguidor de suas publicações.

  6. Só para contribuir, a chaminé que encontra-se no Parque São Lourenço onde se lê “Boutin” não pertencia a uma cerâmica, mas sim a fábrica de cola do cortume Boutin que englobava o que hoje é o Parque mais o terreno do antigo Bavarium (hoje escola do Bosque Manaciais) bem como a ASBAC. Sei disto pois meu pai trabalhou 30 anos no cortume como diretor administrativo.

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