UM PASSEIO PELA XV

Vem comigo, para um breve passeio pela XV de Novembro (Foto – meus irmãos Osmar e Alvaro) nos idos de 1940 até nossos dias.

Ao relembrar aqueles dias, nosso coração transborda num misto de saudades e nostalgia lembrando minha infância, adolescência e juventude.

No passado aquela via pública importante, não lembra nada da atual, era ainda dotada de calçadas para pedestres e também rua para trânsito de veículos. Contava com mão única partindo da Praça Santos Andrade até a Praça Osório, com retorno pela Mal. Deodoro.

Como havia naquela época poucos automóveis, ficava fácil para os motoristas estacionarem. Lembro bem que logo após casar, meu marido ia ao antigo Banco Real com muita facilidade e tranquilidade, parando na porta do estabelecimento. Recordo também não haver muitos estacionamentos na cidade, sendo o único na Mal. Deodoro de nome Nickel.

A referida via, sendo a principal, contava com um comércio bem variado tais como, livrarias, confeitarias, cafés, tecidos, bancos, lojas musicais, sapatarias, fotos, turismo, chocolates, etc.

Aos domingos havia muita circulação visto que o Curitibano aproveitava para olhar as vitrines e ao mesmo tempo, saborear um gostoso sorvete. Ao sair de uma seção de cinema onde se assistia dois filmes, começando às duas da tarde até cinco horas, era de costume ir até a “Confeitaria Schaffer” degustar deliciosas tortas e sorvetes variados.

À noite era outro esquema, pois era praticado o famoso “footing” constando das moças passearem sob os olhares dos rapazes parados às portas das lojas, com intenção de namorar. Quantos casamentos aconteceram desta modalidade.

Na quadra final, precisamente na Luiz Xavier, era muito frequentado por senhores, jovens e estudantes, que diariamente se reunião tomando um bom cafezinho regado à uma boa prosa que ia do futebol à política. Este local é conhecido pelo País como “Boca Maldita”.

Já no outro quarteirão anterior, encontrávamos “o Senado” formado por senhores de meia idade e também idosos, na maioria aposentados, que se divertiam jogando palitos e entabulando também assuntos diversos.

A referida rua, era palco também de encontro de artistas, políticos, onde aconteciam comícios e protestos de várias modalidades.

Se encontrava com frequência tipos humanos como, cartomantes, pedintes exóticos, pintores artísticos, músicos e vendedores de loterias e outros afins.

Dentre o comércio existente salientamos: Lembranças do Paraná, Americanas (confluência das Ruas XV e Monsenhor Celso) Banco do Estado do Paraná, Livrarias Ghignone, Confeitaria das Famílias, Schaffer, Louvre (hoje Lojas Marisa) antiga Panair do Brasil, Varig, Cruzeiro do Sul, o famoso Café Alvorada, Loja Roskamp, Chocolates  Icab e kopenhagen, Tecelagem Imperial, Calçados Clark, os Fotos Brasil e Americano, os Grande Hotel Moderno e Brás, Lojas Ika, A Cinelândia, A Jerusalém , Maison Blanche, Joclena, e por último a Confeitaria Iguaçu.

Com este relato acho que muitos reviveram os locais e acontecimentos, desta via tão querida de nossa Curitiba. Muita saudades daqueles tempos que jamais voltarão.

RECORDAR  É VIVER !

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