UMA VIAGEM NA “MARIA FUMAÇA“

Convido-te para me acompanhar numa viagem inusitada. Esta não depende de preparo antecipado, malas ou de outros materiais comuns, relacionados para enfrentar um tempo fora de casa.

Pois bem, voltando um pouco à década  de 40 a 50 recordo com muitas saudades das alegres e tão esperadas viagens que fizemos junto à família, para nossa querida Paranaguá.

Tais eventos, se davam geralmente aos domingos ou feriados e quando nos eram anunciados era uma festa só!  A agitação tomava conta de todos. Eu e meus manos ficávamos prontos, para uma aventura, que era naquele tempo, fazer um passeio de trem. A ansiedade era tanta que na véspera quase não se dormia, só imaginando tudo, a respeito do dia seguinte.

Já ao amanhecer, estávamos a postos, prontos sem esquecer nenhum detalhe para enfrentar aquele dia especial para nós. Saindo de casa, toda a família se dirigia a pé, até a Estação Ferroviária, numa marcha célere, a fim de chegar  dentro do horário de partida do trem.

Chegando lá, após papai comprar as passagens para todos, nos acomodava em lugares seguros num dos vagões e já começava a disputa pelos assentos junto às janelas, pois não queríamos perder, um mínimo detalhe da paisagem. Porém meu pai, que era muito apaziguador determinava tudo de maneira amigável.

Quando soava o apito do trem indicando a saída nossos corações infantis, pulavam de entusiasmo; e lá íamos, muito compenetrados, talvez com um pouco de medo misturado com alegria. Veja bem que uma simples viagem era o máximo para nós, que na época o mundo representa um pequeno espaço em nossa mente. Éramos felizes e não sabíamos!

Presentemente as viagens intercontinentais em grandes aeronaves ou gigantescos transatlânticos portando grandes tecnologias, não preenchem mais o vazio existente na infância e até a juventude, atuais!

Logo de saída ficávamos atentos para chegar à primeira estação que era Pinhais, onde não havia parada, sendo a seguinte Piraquara onde o trem apitava e parava a fim de recolher novos passageiros que também se dirigiam ao litoral. Nesta altura da viagem o medo nos dominava pois se avizinhavam os tétricos túneis que para nós crianças temerosas de escuro e de fagulhas, entravam nos vagões quando procurávamos os confortantes braços dos genitores. Mas tudo passava rápido e logo ao atravessar o túnel, o sol continuava brilhando.

A paisagem da serra do mar foi e sempre será magnífica, com sua exuberante flora e caídas de águas cristalinas oferecendo ao passante a verdadeira obra da Mãe Natureza.

Chegando ao alto da serra mais precisamente à estação Marumbi, o trem parava e lá deliciávamos os inigualáveis “Bolinho de Estação” (bolinho da graxa) uma iguaria simples composta de farinha e água, algo típico de indígenas da região (caboclos). Finalmente chegávamos ao nosso destino, a lendária Paranaguá. A seguir íamos até o Rocio, onde se encontra a secular Igreja de N.S. do Rocio, com sua arquitetura Colonial, desafiando até hoje o tempo. Em frente ao templo havia um espaço enorme para acomodar as pessoas que lá iam de visita. Pois bem neste lugar nos instalávamos comodamente e degustávamos uma deliciosa galinha com farofa e outras iguarias preparadas por minha mãe, acompanhada com a tradicional “Gasosa Cini” (Coca-Cola da época). Aí ficávamos até o final do dia, brincando e nos divertindo à vontade, sem pressa de voltar ao lar.

Eis aí um resumo dos tempos idos, bem vividos que jamais voltarão.

RECORDAR  É  VIVER !

2 comentários

  1. Flamarion
    Flamarion Responder

    Excelente! Parabéns pelo belíssimo texto escrito nesse web site , empolgante e fascinante!!!
    Um verdadeiro passaporte para imaginação.

    Obrigado

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *